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| Redes
nº 105 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2005 |
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Actualidade
Microsoft lança
o contra-ataque
REDES
O Magneto é a grande aposta
da gigante norte-americana para tentar recuperar o atraso relativamente
à Symbian
Com o Windows Mobile 5.0 (cujo nome de
código é Magneto), a Microsoft disponibiliza uma
plataforma orientada para os utilizadores profissionais e para
as empresas que lhe deverá permitir recuperar a quota
de mercado perdida para a concorrência. As origens deste
sistema remontam a Outubro de 2002, quando lançou através
do operador Orange o SPV, o primeiro smart phone Windows Mobile.
A partir de finais de 2004, a Microsoft tornou-se no segundo
fornecedor de sistemas operativos para dispositivos móveis
de comunicação. No entanto, este foi um resultado
lisonjeador, mascarando as dificuldades do gigante de Redmond
no mercado do telefone móvel.
Depois de 2002, o número de smart phones equipados com
um sistema operativo da Microsoft aumentou constantemente, ascendendo
a 1,5 milhões no último trimestre de 2004 e a
quase 2 milhões no primeiro trimestre de 2005.
No entanto, a Symbian conseguiu melhores resultados –
muito melhores, aliás. No mesmo período de tempo,
as vendas de telemóveis equipados com este sistema operativo
passou de 3,7 milhões para 6,62 milhões. Com este
crescimento, a quota de mercado da Symbian passou de 40,5 por
cento para 61,4%, enquanto que a da Microsoft diminuiu de 23,1%
para 18,3%. |
Renovar
uma oferta criticada
A redução da quota
de mercado da Microsoft explica-se, nomeadamente, pelos bons
desempenhos da Nokia, uma vez que 82% dos terminais vendidos
com Symbian são fornecidos por esta empresa finlandesa.
Para a Microsoft, esta foi uma má notícia, agravada
pelo facto de o mercado dos PDAs não estar a passar pelo
crescimento esperado. De facto, os smart phones passaram a substituir
as agendas pessoais de bolso.
A RIM tornou-se no maior fornecedor de PDAs, com a Gartner a
atribuir-lhe cerca de 21% de quota de mercado no primeiro trimestre
de 2005, surgindo assim à frente da Palm-One e da HP
(maior representante da Microsoft, com apenas 17,6% de quota
de mercado).
Este contexto forneceu à Microsoft uma boa oportunidade
para renovar uma oferta envelhecida e criticada por utilizadores
que consideram a autonomia dos seus smart phones insuficiente.
Apesar de o Windows para móveis beneficiar de inegáveis
vantagens em termos de ergonomia, o sistema operativo da Microsoft
também é um grande consumidor de recursos de hardware,
obrigando os fabricantes a privilegiarem plataformas com maior
capacidade e a limitarem a autonomia dos seus smart phones de
topo de gama.
Por sua vez, os especialistas em desenvolvimento
têm de lidar com grandes restrições por
parte da Compact Framework 1.0. Esta framework de desenvolvimento
– uma versão radicalmente mais leve da .NET, bem
conhecida no mundo Windows – mostrou-se insuficiente para
desenvolver aplicações de mobilidade de forma
eficaz. Para explorar da melhor forma as capacidades dos smart
phones, era necessário um desenvolvimento nativo sob
Windows fastidioso e pouco produtivo quando não se é
editor de software.
O Windows Mobile 5.0 tem como missão voltar a colocar
a Microsoft na corrida pela conquista do mercado da telefonia
móvel. Mas essa missão vai ainda mais longe. Na
realidade, a companhia de Bill Gates lançou-se no desenvolvimento
de toda uma série de sistemas operativos baseados no
Windows CE 5, em que a memória pode variar dos 3,72MB
(mínimo) até aos 167MB para alojar as funções
necessárias à criação de um terminal
Internet, por exemplo.
Assemelhando-se ao Windows CE, o Windows Mobile tem em vista
os PDAs, os smart phones e os terminais multimédia. É
secundado pelo Windows Embedded para responder às necessidades
da informática embebida, bem como pelo Windows XP Embedded
para os equipamentos mais evoluídos. É esse o
caso, nomeadamente, dos equipamentos triple play que estão
a ser implementados pelos operadores, mas também das
caixas registadoras, para as quais a Microsoft lançou
o Windows Embedded for Point of Service.
O gigante de Redmond fez realmente o trabalho de casa, como
sublinha Tony Cripps, analista na Ovum. «A Microsoft escutou
os pedidos dos utilizadores. Em determinados aspectos, está
mesmo à frente da concorrência, particularmente
na estreita integração existente entre os sistemas
operativos e as ferramentas de desenvolvimento.»
Esta empresa de estudos de mercado também constatou uma
maior flexibilidade relativamente à concepção
de terminais por parte dos fabricantes, bem como a nível
das capacidades de personalização do sistema operativo
por parte dos operadores. O suporte para Bluetooth foi revisto
e o ActiveSync 4 (software de sincronização com
o PC) passou a suportar USB 2.0.
Uma ofensiva global
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• Apesar de o Windows
Mobile ter conquistado, em apenas dois anos,
o segundo lugar no mercado dos sistemas operativos
para telefones móveis encontra-se actualmente
a uma grande distância da Symbian;
• Numa altura em que o mercado
dos PDA está a ceder em benefício
dos smart phones, a Microsoft reafirma a fusão
destes mercados; • Com a framework
de desenvolvimento Compact Framework 2.0,
o Windows Mobile 5.0 registou uma grande evolução
em termos de facilidade de programação. |
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Por sua vez, os utilizadores vêm a
solução Office enriquecida com o PowerPoint Mobile
e com o suporte para ficheiros acoplados (attached). As capacidades
multimédia foram igualmente melhoradas com o Windows
Media Player 10, que passa a sincronizar-se com a sua versão
PC – incluindo a transmissão dos direitos adquiridos
pelo internauta durante a compra de sequências de música.
Os adeptos dos jogos também não foram esquecidos,
graças ao suporte (ainda que parcial) de DirectX, o que
deverá permitir o aparecimento de equipamentos móveis
equipados com chips de aceleração gráfica
para os jogos graficamente mais ricos.
Por outro lado, o Windows Mobile 5.0 deixa antever o potencial
colossal que representarão no futuro as soluções
ligadas ao instant messaging e, mais geralmente, à gestão
da presença dos utilizadores móveis.
O serviço MSN é outra aposta da Microsoft, pelo
que propõe o Pocket MSN, um software que permite o envio
e a recepção de e-mails com base no Hotmail –
o serviço de webmail da companhia. Além disso,
o Pocket MSN permite a exploração das listas de
contactos do sistema de mensagens instantâneas.
Apesar de oficialmente a Microsoft ter em vista tanto o mercado
de grande consumo como o sector profissional, facilmente se
constata que são as empresas que irão poder explorar
melhorar esta nova plataforma. A companhia de Redmond teve particularmente
em conta as necessidades de quem faz desenvolvimento. Desta
forma, o Visual Studio 2005 tornou-se numa ferramenta de desenvolvimento
única para o Windows Mobile. Ao mesmo tempo, foi dotado
de um novo emulador ARM. O software Target Analyzer gera um
ficheiro de resultado da análise da configuração
do móvel que será alvo dos desenvolvimentos. Este
ficheiro, criado graças a uma biblioteca de dez mil componentes,
permite criar ambientes de teste para o emulador e eliminar
parte das idas e voltas entre o PC de desenvolvimento e o móvel
para testar as aplicações.
Quando à Compact Framework (versão 2.0), está
agora muito mais completa e dotada dos argumentos necessários
para fazer com que os especialistas em desenvolvimento .NET
se interessem pelo Windows Mobile, permitindo assim fidelizar
uma população de programadores de aplicações
móveis que até agora tinha uma postura reticente
(para não dizer hostil).
Esta framework permite, em poucas linhas
de código, tirar partido do telefone para interceptar
uma mensagem SMS e ler o conteúdo da mesma, recuperar
os dados da máquina fotográfica incluída
no móvel, de um GPS, ou gerar bases de dados. O Windows
Mobile 5.0 inclui um gestor de dados (SQL Server Mobile Edition)
que, entre outras possibilidades, permite uma boa sincronização
com o SQL Server 2005.
Outra vantagem da Compact Framework 2.0 é o acesso à
totalidade dos objectos do Pocket Outlook. Designados por POOM
(Pocket Outlook Object Model), estes objectos permitem que os
programadores manipulem de forma bastante simples todos os contactos,
tarefas e marcações armazenados no móvel.
Podemos alargar o modelo da ficha de contacto, por exemplo,
para lhe adicionar uma foto ou dados de negócio, no âmbito
do desenvolvimento de uma aplicação comercial.
Além disso, todas as variáveis relativas ao funcionamento
do móvel estão acessíveis em leitura ou
em modo de subscrição. Uma aplicação
poderá assim detectar que a cobertura de rede não
é suficiente para proceder a um envio de dados.
BlackBerry: um sucesso a analisar
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O sucesso do BackBerry já
não pode ser desmentido, uma vez que
conta já com mais de três milhões
de utilizadores, contra apenas dois milhões
há cerca de seis meses. Consequentemente,
a Microsoft decidiu passar à ofensiva.
Apresentou assim da sua solução
de push de e-mail em tempo real, designada
por Direct Push. Esta funcionalidade está
disponível para download como módulo
adicional do Windows Media 5.0. Em 2006, será
integrada em todos os terminais.
Enquanto que anteriormente os utilizadores
escolhiam, a nível de um terminal móvel
Windows, o intervalo de tempo entre cada sincronização
(no mínimo, todos os cinco minutos),
agora é o servidor de correio que expede
os e-mails para os terminais logo que os recebe.
No entanto, será necessário
esperar pela disponibilização
do Service Pack 2 para os servidores Exchange
2003, prevista para este mês de Outubro.
Apesar de podermos dizer que a Microsoft clonou
uma tecnologia com provas dadas, a companhia
esforçou-se em se distinguir do seu
concorrente. A segurança é um
ponto forte da sua solução,
uma vez que propõe funções
inovadoras nesta área, como a possibilidade
de um administrador parametrizar senhas, PINs
específicos em cada terminal, autenticar
os terminais através de certificados
ou anular um telefone em caso de perda ou
de roubo.
Os e-mails são transferidos directamente
do servidor Exchange da empresa para os terminais,
sem passarem por um servidor específico
de push de e-mail, tal como acontece com o
BackBerry. Isto foi conseguido para evitar
os rumores de espionagem, que chegaram a circular
no passado.
Outra vantagem da solução da
Microsoft é a sua facilidade de utilização.
Os utilizadores familiarizados com a solução
Office poderão consultar facilmente
os attachments Word, Excel ou PowerPoint,
ou procurarem um correspondente no directório
Exchange da empresa. |
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O lançamento comercial do Magneto
permite à Microsoft recuperar o atraso relativamente
aos seus concorrentes. No entanto, na altura do seu lançamento,
o Windows Mobile 5.0 não apresentava qualquer funcionalidade
de push mail, o que para alguns analistas se deve ao sucesso
fulgurante da RIM e do seu BlackBerry. No entanto, a Microsoft
apresentou algumas semanas mais tarde o Messaging and Security
Feature Pack – módulo cliente que funciona a par
do segundo Service Pack do Exchange 2003 (ver caixa). A Microsoft
reviu, portanto, a sua cópia face à RIM. Esta
última relativiza, contudo, o avanço da sua concorrente.
«Convém ter em conta que o e-mail móvel
está apenas no início e representa apenas um dos
elementos das necessidades dos utilizadores em termos de sem
fios», explicou David Yach, vice-presidente da divisão
de software da RIM, referindo ainda que «nas empresas,
os clientes passaram a utilizar o seu BlackBerry para acesso
sem fio a um grande leque de aplicações, além
do e-mail».
A RIM reivindica para si três milhões de clientes,
mas a Microsoft já nos habituou a impor-se num mercado
onde desempenha o papel de challenger. Além disso, nesta
sua ambição é apoiada pelos fabricantes
de dispositivos móveis que não vêem na Symbian
mais do que uma emanação da Nokia, enquanto que
a Microsoft é encarada como um actor neutro neste mercado.
Por exemplo, a HTC, que foi o fabricante do SPV em 2002, aposta
completamente na cartada Microsoft para conquistar um lugar
ao Sol no mercado. O seu modelo MDA IV foi mesmo utilizado como
móvel de demonstração por Bill Gates na
altura do lançamento mundial do Windows Mobile 5, durante
a conferência Microsoft Mobile & Embedded DevCon 2005
que teve lugar em Las Vegas.
A Nokia mantém-se fiel à Symbian, comercializando
os seus móveis com as diferentes versões deste
sistema operativo, nomeadamente a Series 60, mas respondeu à
HTC com um terminal comparável a funcionar com base em
Linux. Com base neste contexto, podemos referir que ainda há
muito por jogar no mercado dos telefones inteligentes. |
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